terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"Tragédias como a do São Camilo e inundações poderiam ter sido evitadas" - um relato de quem vislumbrava um planejamento responsável para a cidade

A imprensa nem sempre se empolga com opiniões discordantes dos governantes locais, por isto tomei a liberdade de reproduzir aqui um breve artigo meu amigo e especialista Arquiteto Roberto Franco Bueno, não publicado na imprensa escrita mas que faço questão de espalhá-lo com os recursos midiáticos dos quais dispomos. Ele nos remete a um passado da cidade ainda com todos os seus recursos naturais, humanos e tecnológicos a serem explorados o que nos põe a refletir sobre o que vivemos hoje, resultado das decisões políticas tomadas pelos governantes ou de suas omissões.

"No jornal local Bom Dia de 19/01 apreciei a sensibilidade de um leitor, leigo na teoria mas sensato na expressão, o amigo Picôco Bárbaro, comentando as ameaças que sofremos quando não respeitamos a natureza ou postergamos providências que protejam nossa população. Na sessão "Sua opinião" do mesmo jornal, senti a preocupação da Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Jundiaí com a erradicação de submoradias e núcleos residenciais expostos a acidentes naturais, que lamentamos ocorrerem; os quais aumentam a preocupação das Administrações Municipais.

Nos idos de 1960, ex-Diretor de Obras da Prefeitura de Jundiaí, tempo em que era Diretoria do "faz tudo": tratar e distribuir água, coletar esgoto, conservar e pavimentar vias públicas, cuidar dos jardins, iluminação pública, loteamentos e construções, etc.; propus o ideário de um Código de Obras unido a um Plano Diretor, regendo as atividades da Administração e disciplinando a evolução do Município e, principalmente, fiscalizando-as.

Depois, ao ocupar a presidência da Fundação Municipal de Ação Social, procurei dirigir a atuação daquela fundação no sentido da verdadeira ação social, sem paternalismo, colocando a técnica a esse serviço, objetivando erradicando a submoradias e preservando nosso patrimônio social, cultural, histórico e natural (o Japy).

Considerei sempre que seria obrigação de todo jundiaiense, mesmo os que se julgam leigos, promover o verdadeiro progresso sustentável, medindo-o não pelo ufanismo barato do "primeiro", do "maior" mas sim, objetivando alcançar o "melhor", que resultasse na elevação do IDH de nossa população.

São Paulo é um péssimo exemplo desse "falso progresso" e seu povo está pagando muito caro por isso; saturando de tal forma seu território que acaba por invadir o patrimônio territorial dos municípios de seu entôrno, com uma dezena de represas para seu abastecimento, despejando em outros, esgoto "in natura" pelos rios Tamanduateí, Tietê e Pinheiros e até nas represas, Billings e Guarapiranga; afetando-os seriamente; DESRESPEITANDO o princípio constitucional da autonomia dos estados e municípios.

Não nos deixemos cair no engôdo das críticas simplórias das tevês aos políticos de plantão; sabendo que problemas como os de São Paulo mereciam um tratamento de "ALTA CIRURGIA" como alertava nosso professor e emérito prefeito José Carlos de Figueiredo Ferraz, propondo aplicá-la por meio de um planejamento rigorosamente fiscalizado PARA ATENUÁ-LOS, já que não havia como corrigí-los, como todos sabemos.

Resta-nos advertir nossas Autoridades que o caminho da especulação imobiliária empobrece os municípios, pelo desfrute gratuito de suas fracas estruturas urbanas, sem nada a lhes retribuir; carrendo a riqueza da poupança de nossas populações com planos habitacionais ilusórios, excedentes à capacidade natural dos territórios, aumentando excessivamente densidades demográficas toleráveis.

Se preciso for, defendamo-nos desse falso progresso, refreando-o de forma ordenada e consciente!

Não se trata de uma posição xenófoba, mas de defesa de nossos patrimônios, pois como se dizia algures, também Jundiaí pertence aos jundiaienses, que a construíram durante cerca de 400 anos!"


ROBERTO FRANCO BUENO

Arquiteto e urbanista. Autor do livro "Villa Fermosa de Nª Sª do Destêrro do Matto Grosso de Jundiahy",prefaciado pelo Desembargador Doutor José Renato Nalini, colaborador do conceituado "estadão" ePresidente da Associação Paulista de Letras em a 21ª Bienal Internacional do Livro - agosto de 2010.

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